
A menopausa é uma etapa da vida que, apesar de natural, localiza-se na interseção do preconceito de idade e misoginia (Glyde, 2022). Metade da população mundial é do sexo feminino, o que representa uma forte probabilidade de, durante o seu ciclo vital, confrontar-se com este fenómeno natural, sendo que as experiências relatadas não são, na sua maioria, positivas (Oliveira, 2022; OMS, 2022). Segundo a Administração Regional de Saúde do Norte - ARS Norte (ARS, 2011), a síndrome climatérica, período que indica a transição da fase reprodutiva para a fase não reprodutiva, decorre em três períodos subsequentes: i) a perimenopausa: período que antecede a menopausa e o primeiro ano após a menopausa, podendo-se iniciar por volta dos 40 anos, sendo este um dos momentos de maior alteração hormonal e de maior impacto na saúde da mulher; ii) a menopausa: um evento específico, normalmente reconhecido pelo término da menstruação e da diminuição da capacidade reprodutiva, ocorrendo, por norma, entre os 45 a 55 anos, sendo-lhe associados sintomas e/ou sinais, devido à diminuição dos níveis hormonais, como ondas de calor, suores noturnos, alterações de sono e/ou humor; e iii) a pós-menopausa, que acompanha o ciclo após a menopausa até ao final da vida. Apesar da diminuição sintomatológica, alguns sinais e/ou sintomas permanecem mesmo nesta fase, bem como as suas consequências.
A idade média para a experiência destes três períodos é de 51 anos (Fernandez & Costa, 2021), sendo que a média de tempo entre a perimenopausa e a menopausa é de quatro a seis anos. Durante este período, as pessoas estão sujeitas a alterações fisiológicas decorrentes da diminuição de estrógeno e progesterona, hormonas fundamentais para a função cerebral, através do fluxo sanguíneo (Nunes, 2023). Os sintomas incluem ondas de calor (hot flushes), alterações de sono, mudanças no humor, com acessos de irritabilidade e sintomas depressivos, e perturbação cognitiva (brain frog), conhecida na literatura como nevoeiro mental, causador de uma maior lentidão de processamento. Estas mudanças no comportamento são causadoras de um mal-estar significativo na rotina diária (Nunes, 2023).
Estas alterações ocorrem devido a uma descida abrupta nos níveis de estrogénio, que atinge o patamar mais baixo desde o nascimento. Se a menopausa é um preditor de mudanças fisiológicas na pessoa, é importante salientar que ocorre porque estas hormonas são fundamentais no desenvolvimento. Efetivamente, o estrogénio é um precursor da atividade da serotonina (neurotransmissor envolvido no humor, memória, pensamento flexível e autocontrolo) e a progesterona, que tem efeitos controladores no estrogénio e regula a qualidade de sono. O estrogénio tem ainda como função proporcionar o equilíbrio do humor e o controlo da irritabilidade.
Para Pinkerton (2023), é crucial escrutinar as experiências para compreender o que sucede durante estas fases e intervir, permitindo assim à pessoa lidar com a sintomatologia. São possíveis como tratamentos a terapia Cognitivo-comportamental, os tratamentos não hormonais e a terapia hormonal.
Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde.
Manuela Barros